Ministro de Macri: “dívida não é problema, o importante é cumprir metas fiscais”

Buenos Aires, 25 de setembro de 2017O governo do presidente Macri afirmou também que “de jeito nenhum” a dívida representa um problema para os cofres fiscais, assim como não se cansam de repetir os assessores do Ministério das Finanças e do Ministério da Fazenda.O ministro das Finanças, Luís Caputo, insiste em dizer que a Argentina não pode voltar a cometer o erro de deixar passar (como na era Kirchnerismo – 2003-2015) uma época de liquidez abundante no mundo e de taxas de juros muito baixas.Em 2018, a previsão é de que o governo tomará nova dívida por US$ 20 bilhões e por US$ 11 bilhões para pagar juros de dívida já emitida.Caputo fez uma explanação rápida no congresso do Instituto Argentino de Executivos de Finanças, há poucos dias em Bariloche e, já em Buenos Aires, respondeu a estas perguntas do Clarín.Ministro das Finanças, Luis Caputo, ao lado do ministro da Fazenda, Dujovne. Caputo: “Como não ser otimista então?”- O aumento da dívida pública, principalmente em dólares, é ou não é um problema para o crescimento da economia argentina?- Pelo contrário, ele é o financiamento que está motorizando a economia. Graças a termos recuperado a confiança e o crédito, hoje estamos vendo grande quantidade de obras de infraestrutura no país inteiro. Além disso, nosso nível de dívida, 27% do Produto Interno Bruto (PIB), é o mais baixo da região. E a taxa média de financiamento, de 4,6%, é a mais baixa da nossa história.- Embora se observe, principalmente, a dívida em dólares com credores privados, por que qualificadoras como S&P alertam que é um risco que a dívida cresça mais do que o PIB?- O que é verdadeiramente importante é cumprir as metas fiscais. Isso é o que importa. Cumprindo as metas, em 2020 o ratio da dívida sobre o PIB se estabilizará na metade do ratio atual do Brasil. Nesse ano a inflação também já será de um dígito.- O pagamento dos vencimentos de juros ocupa um lugar cada vez maior no gasto público?​- Nós conseguimos diminuir a taxa média de financiamento para 4,6% neste ano. Essa é a taxa mais baixa da nossa história. Cada vez que refinanciamos a dívida herdada, economizamos juros. Substituímos dívida cara do passado por dívida mais barata.- Não foi um pouco audaz prever como o país estará bem nos próximos 20 anos? Tanto o senhor como o ministro da Fazenda, Nicolas Dujovne, citaram esse prazo. Em que se baseiam para fazer essa afirmação?- Eu sou muito otimista. Mas, ao mesmo tempo, sou consciente de que ainda há muitíssimo a ser feito. Acho que estamos indo pelo caminho correto e que o que fizemos nestes 20 meses de governo (a partir de dezembro de 2015) começa a mostrar resultados: a economia está crescendo a um bom ritmo, estão sendo criados novos empregos, a inflação está caindo, há créditos para famílias e pmes a prazos e taxas que jamais existiram na Argentina. Somos um país com enormes recursos e um grande talento humano. Há crédito porque há confiança no país e isso se traduz em investimentos. Como não ser otimista então?- Quais são os riscos de choque – externo ou interno – que, além das possibilidades de ocorrerem, estão no radar? E quais são os fatores que estão jogando a favor da política econômica e financeira do governo?- A frente externa está sendo mais favorável do que se enxergava há um ano. O mundo está crescendo a um ritmo bom e com uma inflação absolutamente moderada. O processo de aumento de taxas está sendo muito gradual e organizado. O Brasil, um jogador-chave para a nossa economia, também começou a se recuperar. E provavelmente cresça 1,5% em 2018.- Os projetos de obras com Participação Público Privada (PPP) poderão “encaixar” com o resto das obras de infraestrutura de modo a não afetar o investimento em infraestrutura em 2018?- Em 2018 o investimento em infraestrutura não só não vai ser afetado, como vai aumentar, será de 3,5 pontos do PIB. Estamos falando de quase 50% a mais do que o deste ano. As licitações e os projetos PPP vão ter um papel muito importante. Apontamos a chegar a 1 ponto do PIB por ano nos próximos três anos. Isso representa um pouco mais de duas vezes a média dos países mais ativos da região.- O senhor voltaria a emitir um bônus a 100 anos?​- Eu tenho que fazer o que é melhor para o país. O financiamento é um assunto importante demais para ficar subordinado às armadilhas políticas. Um ano depois de ter concluído o default do governo anterior, nós estamos nos financiando a uma taxa menor do que a taxa média dos Estados Unidos nos últimos 40 anos, pré-crise de 2009. Então, não se pode perder a perspectiva. Nós já perdemos mais de 10 anos de taxas quase zeradas no mundo que poderiam ter mudado a história do país, gentileza da ex-presidente e de sua miopia.- Dentro de quanto tempo a Argentina poderia conseguir a qualificação de risco investment grade?​- Esses são processos que levam tempo. Nós estamos vindo de décadas de fazer tudo muito mal. Com um nível de corrupção sem precedentes. Mas de algo eu tenho certeza. Nós vamos melhorar ano a ano. E vamos mudar finalmente a história.

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